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Como aprendemos a identificar sentimentos?

Como aprendemos a identificar sentimentos? A aprendizagem será maior se o adulto de referência conhecer seus próprios sentimentos e emoções.

Como aprendemos a identificar sentimentos?
Polina Zimmerman by Pexels

A dificuldade em identificar sentimentos e suas causas pode ser muito prejudicial às nossas relações interpessoais e ao nosso bem estar, visto que assim teremos muito mais dificuldades em mudarmos.

Junto disso, a maneira como nós expressamos esses sentimentos também poderão ser prejudicados, interferindo de maneira negativa na busca por resoluções de conflitos e tomadas de decisão.

Os prejuízos ainda poderão ser encontrados na forma de incertezas e confusões sobre o futuro, sobre relações interpessoais conflituosas ou mesmo na inércia em ir para a frente na vida.

É por meio dos nossos cuidadores que aprendemos a identificar os sentimentos. E essa aprendizagem será tão boa quanto maior for o autoconhecimento desses adultos sobre seus próprios sentimentos e emoções.

Como aprendemos a identificar sentimentos?

Desde muito pequenos, a comunidade verbal em que estamos inseridos, como nossos pais e cuidadores, são os facilitadores nesse processo de aprender a identificar os sentimentos.

Por meio de perguntas, nós aprendemos a perceber aquilo que nos machuca de alguma maneira, seja encoberto (como sentimentos, emoções ou pensamentos) ou público, como machucados no corpo.

Um ambiente que auxilie na identificação e valide aquilo que é sentido, tende a ser um ambiente saudável para o crescimento.

Imagine agora uma criança que, ao correr, tropeçou e caiu, ralando assim seu joelho.

Em um primeiro momento, quem quer esteja ao redor, vai rápido socorrer, mas sempre fazendo perguntas como: “Aonde está doendo?, “Como você se sente?”, “Como você ralou o joelho?”, “Ta doendo?”.

Essas perguntas criam um contexto propício para que a criança identifique o que está sentindo e o que causou.

Quando esta tem dificuldade em identificar, o próprio adulto pode ajudar nessa tarefa com afirmações como “imagino que isso deve tá doendo pra caramba!; Você caiu pois tropeçou no degrau”.

Do mesmo modo, identificar aquilo que sentimos encobertamente também depende da mediação de outras pessoas ao nosso redor.

Uma criança que está triste por seu melhor amigo  mudar de cidade, pode ser auxiliada com perguntas feitas pela comunidade em que ela está.

Como por exemplo “Aonde está doendo? Como você se sente com a mudança do seu amigo?”, ou ainda dando exemplos de sua própria vida, como “Quando eu era criança eu também me mudei, e fiquei triste com isso”.

Apesar de tudo, essa aprendizagem será tão boa quanto maior for o autoconhecimento desses adultos sobre seus próprios sentimentos e emoções.

Consequências ruins

Como eu coloquei lá em cima, a dificuldade em identificar nossos sentimentos e suas causas pode ser bastante prejudicial à nossa vida.

Podemos nos encontrar estagnados em uma relação  aversiva com o trabalho, com sensação de esgotamento físico e mental, sem saber o porque disso.

Os homens, por exemplo, podem apresentar essa dificuldade de forma mais aguda devido a cultura machista a qual estão expostos.

A famosa frase “homem não chora” pode ser um exemplo bem claro dessa realidade, que busca suprimir os sentimentos e emoções sentidas nas situações em que ocorrem.

E ora, se eu aprendi a negar a aversividade da situação, continuo nela até não aguentar mais.

Procure por um profissional

E quando o contexto no qual crescemos não contribuiu para com o desenvolvimento desse autoconhecimento, o que podemos fazer?

Estar aberto a novas experiências pode ser um catalisador para esse processo que é se conhecer.

Essas experiências podem ser algo como, por exemplo, praticar um esporte, conhecer novos lugares, conversar com pessoas diferentes, aprender algo novo, escrever ou rememorar sobre os acontecimentos do dia ou ainda estudar sobre sentimentos e emoções.

São diversas as possibilidades para desenvolver o autoconhecimento, não se limitando apenas a essas.

Procurar ajuda profissional é, geralmente, a última opção, porém, com o auxílio de um profissional em Psicologia, esse processo pode ser melhor elaborado.

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Escrito por Gustavo Assi

Gustavo Assi, Psicólogo Clínico CRP 12/16955 e consultor em Psicologia do Esporte pela abordagem Analítico-Comportamental, formado em Psicologia pelo Centro Universitário de Brusque (Unifebe), com ênfase em Promoção à saúde e Prevenção, e pós-graduado em Neuropsicologia pela Universidade de Araraquara (Uniara).

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