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O feminino ferido – A força interior

Precisamos ter a coragem de ouvir a voz do coração, silenciar a mente do burburinho da distração, eliminando os obstáculos que impedem a realização do nosso propósito de vida.

O feminino ferido - A força interior.
Pexels

Feminino é uma palavra que pertence apenas à mulher enquanto gênero.  Em certo sentido pode ser, mas o Feminino é muito mais que gênero, feminino abrange a natureza psicológica de todas as pessoas.

Estamos falando do que Jung chamou de  “nima”, com funções importantes que estruturam a consciência e todos os nossos comportamentos tanto de homens quanto o de mulheres.

Na medida que amadurecemos buscamos explicações para tudo o que acontece dentro e fora de nós.

Podemos observar os filmes, desenhos, os games atuais que preenchem a nossa imaginação com imagens simbólicas, transmitindo conceitos, crenças, modelos de comportamentos e de pensamentos sobre tudo o que há dentro e fora de nós.

Na antiguidade, as conversas ao redor do fogo, as narrativas, as danças, os rituais, foi tecendo o que hoje conhecemos como mitos e contos de fadas, que funcionam como meios de transmitir conceitos, modelos de vida, ensinamentos diversos o que garantiu a sobrevivência humana até os dias atuais.

Assim podemos dizer que o feminino ou ânima, está dentro nós como função que nos dá determinadas condições emocionais e comportamentais e fora de nós fazendo parte do inconsciente coletivo, dos arquétipos, como modelos de personas e funcionamento.

O arquétipo feminino mais poderoso é o da Grande Mãe, ou Gaya encontrado em todas as culturas do mundo inteiro.

A força arquetípica feminina – Grande Mãe

O mito relata a força, o poder, a área de dominação, da grande Mãe. Conta sobre os desafios da vida, dos amores, das relações que temos com nosso mundo interior e exterior.

O mito conta que o mundo foi criado  por uma tecelã que ao imitar uma aranha criou todo universo, inclusive o planeta terra e tudo o que nele habita, a maioria dos mitos de criação o mundo foi criado por um Deus, alguns por uma Deusa e outros por um  casal Deuses.

O essencial aqui é de maneira as narrativas dos mitos e dos contos de fadas podem nos ajudar em nossa jornada? Como aliviar o sofrimento, a falta de sentido, a ansiedade, nossos traumas existenciais?

Em um mundo cada vez mais desligado do que é essencial, dos valores e princípios que norteiam a vida em família e em comunidade e da super valorização do consumismo desenfreado, que diz que a felicidade só pode ser alcançada se você usar determinado tipo de produto, comer tal e tal alimento, vestir com essa marca etc… Como a Grande Mãe, Gaya, pode contribuir com a sua generosidade e cuidado?

O feminino ferido – “Se uma mulher sangra, todas sangram”

Todas as vezes que uma mulher sofre algum tipo de violência física, mental ou psicológica, a alma de todas as mulheres sangra.

Precisamos urgente curar nossas irmãs, nossas mães, nossas filhas e restabelecer o equilíbrio nas gerações seguintes desta maneira também aliviamos o sofrimento das almas dos antepassados.

Estou convencida que a responsabilidade da vida que levamos e criamos é pessoal e intransferível, ou seja cada adulto consciente e saudável é responsável pela vida e pela história que desenvolve, mesmo quando uma pessoa acredita que não teve escolha, ou não percebeu a escolha que fez, penso que o fato de não escolher já é uma escolha.

Estar alinhada e conectada com a nossa essência, com a nossa alma, com a nossa história familiar, com o chamado do coração nos aproxima da Grande Mãe, da força que cura, pois é uma força ecológica de preservação da vida como um todo.

Estar em silêncio ouvir o coração, meditar, orar, são simples ações de conexão com a sabedoria da Grande Mãe, do estado meditativo nasce a inspiração, a resposta, a orientação para encontrar a cura para nossas aflições.

Existem em nós e ao nosso redor um campo de energia que nutre o corpo/mente/espírito/alma e que eu chamo de a Grande Mãe, a Deusa em nós, representada pelo coração, pelo estado de graça e paz.

Precisamos ter a coragem de ouvir a voz do coração

Ela eleva a saúde mental e emocional, que nos nutre de sabedoria instintiva e intuitiva, tão necessária para separarmos o joio do trigo.

Só precisamos ter a coragem de ouvir a voz do coração, silenciar a mente do burburinho da distração, eliminando os obstáculos que impedem a realização do nosso propósito de vida.

Há em nós mulheres uma força que nem sempre temos a consciência plena desse poder, essa é a sabedoria da Grande Mãe.

Mas a força está ai dentro de você, dentro de todos os humanos,  é uma força que nos guia e nos transmite a coragem necessária para enfrentarmos os desafios que a vida nos propõe, e principalmente para realizar o nosso mito pessoal, ou seja, realizar nossos sonhos.

Nem sempre conseguimos eliminar nossos obstáculos sozinhas, isoladas.

Ás vezes é necessário a ajuda de outras mulheres. Participar de grupos de apoio online ou presencial, conversar com a mãe real, se for possível,  saber quais desafios ela superou, conhecer a história dos seus antepassados, ou mesmo fazer terapia, são modos de se conectar com a Deusa interior e criar um novo capítulo na história de sua vida.

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Escrito por Cleuse Alves Nogueira

Meu nome Cleuse Alves Nogueira Pedagoga primeira formação, Psicologia (CRP 06/59616) veio depois, mas já vinha de muito tempo. Atualmente trabalho somente na clínica escolhi a abordagem Junguiana coligada às Técnicas corporais, por viver em meu corpo todas as emoções fundamentais da vida.

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