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Contar Histórias – acesso ao portal do coração

Resgatar práticas de contar histórias pode ser um caminho para trazer mais leveza, saúde e confiança aos dias de distanciamento social.

Contar Histórias – acesso ao portal do coração
Pixabay

“ (…) tudo isso é sonhar? É desapegar-se do certo e do errado, do conveniente, do possível, das regras estabelecidas, do medo, de tudo o que é aprisionador da condição humana”?  

Regina Machado

Todos os dias somos bombardeados com uma avalanche de informações sobre os mais diversos temas do momento, essas narrativas tendem a:

Anestesiar a habilidade de discernir
Atordoar a mente e o coração
Afetar as emoções
Causar indignação
Enfraquecer a esperança
Provocar conflitos nas relações pessoais e profissionais

Em dias de tamanha turbulência, fragilidade, incertezas e impotência, se faz necessário o resgate da arte de contar e ouvir boas histórias, brincar com a imaginação, despertar memórias afetivas e afetuosas para nutrir a saúde mental e emocional.

Considerada como bálsamo de cura e medicina natural por povos da antiguidade e prática ancestral de transmissão do conhecimento sobre a vida e seus fenômenos naturais.

Povos ancestrais utilizavam com maestria, imaginação e ludicidade a arte de narrar histórias como recurso de cura e desenvolvimento humano.

Poesia, música, dança eram usadas para contar histórias e achar respostas aos enigmas da existência.

As histórias clássicas, contos de fadas, mitos, contos populares, inventadas, etiológicas, fábulas, etc, trazem o poder mágico de transportar o contador de histórias e os ouvintes para outro “lugar” no tempo.

O lugar em que coração pode dizer o que sente, assim como qualquer elemento da natureza ou matéria.

Nesse espaço objetos incríveis ganham vida, tudo é possível, poderes são descobertos, lições são apreendidas, novas possibilidades e contornos para experimentar o mundo interior aparecem.

As respostas e as soluções aos desafios acontecem pela imaginação e criatividade expandidas.

A importância da contação de histórias

Contar e ouvir histórias diz respeito ao exercício da empatia, onde a inversão de papéis, o colocar-se no lugar do outro simplesmente acontece, sem que se diga, de maneira racional, que é momento de fazer ou sentir isto ou aquilo.

Nesse momento os corações e as almas (ou o nome que você prefere dar a essência divina) do contador e do ouvinte estabelecem uma relação de interdependência, em que cada um é um universo e ao mesmo tempo esses mesmos universos se tocam e a mágica acontece…a união de ambos numa experiência singular.

Isso se dá no campo do não dito, as histórias trazem esse poder!

Cada pessoa, de qualquer idade, é tocada de maneira diferente por essa magia milenar e universal.

As histórias “ganham vida”, gentileza, permissão e respeito para entrar nos portais dos corações e almas trazendo “cura”.

Resgatar práticas de contar histórias pode ser um caminho para trazer mais leveza, saúde e confiança aos dias de distanciamento social.

Que tal aproveitar a chegada do outono, “inventar uma fogueira”, criar um espaço acolhedor e criativo em casa, soltar a imaginação e contar histórias?

Você mora sozinha? Isso não é problema!

Crie todo cenário e conte a si mesma as histórias que gosta, escreva histórias, grave um áudio e compartilhe com quem você ama. Lembre-se de histórias divertidas da família, brinque com fotos e compartilhe com os familiares.

Você vai sentir bem-estar, os dias serão mais leves e a confiança vai aumentar.

Por conta de estudos conectados a antropologia transcultural, acredito que todo contador de histórias é um curador e todo curador é um contador de histórias.

Assim, reconhecer as demandas e a realidade do momento (pessoais e coletivas) podem ganhar novos contornos e caminhos…

Um conto, um encontro

Finalizo com um conto que adoro, de autor desconhecido… e caso alguém conheça… conte o nome para mim!

“Havia um rei que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar numa pintura a paz perfeita. Foram muitos os artistas que tentaram.

O rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e teve que escolher entre ambas.

A primeira era um lago muito tranquilo…um espelho perfeito onde se refletiam plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre elas encontrava-se um céu muito azul com tênues nuvens brancas.

Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela refletia a paz perfeita. A segunda pintura também tinha montanhas… mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação. Sobre elas havia um céu tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com faíscas e trovões…tudo isto se revelava nada pacífico.

Mas quando o rei observou atentamente reparou que atrás da cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto encontrava-se um ninho.

Ali, no meio do ruído da violenta camada de água, estava um passarinho placidamente sentado no seu ninho. Paz Perfeita!

Qual pensas que foi a pintura ganhadora”?

(Autor desconhecido)

Boas experiências e abraço carinhoso!

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Escrito por Anna M. Oliveira

Anna Maria de Oliveira, mais de 25 anos atuando na área educacional, formação de educadores, liderança de equipes e desenvolvimento de projetos. Pedagoga, Especializada em Gestão Escolar, Arte Educadora, Professora, Consultora, Palestrante. Fundadora da Academia Confluência (Escola de desenvolvimento humano para Autogestão).

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