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Empregada doméstica: Até que ponto ela pode interferir na educação do seu filho?

Empregada doméstica Até que ponto ela pode interferir na educação do seu filho
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 Olá a todos!

Espero que estejam bem, e se cuidando!

Neste artigo, trago à discussão a relação com empregada doméstica.

A participação de uma pessoa que se agrega ao ambiente familiar, por vezes tratada como ‘funcionária’, em outras é ‘membro da família’. Mas de qualquer forma ela é alguém que vai interferir nos cuidados e criação do(s) filho(s). Qual o limite? 

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Com os novos paradigmas familiares, em que os pais ficam o dia inteiro fora de casa trabalhando (as mães por vezes se sentindo “culpadas” por se dedicarem ao trabalho e estudos…), há sérios conflitos e dúvidas quanto a deixar as crianças com terceiros.

Ás vezes é fácil ter uma “vó+luntária”, mas nem sempre isso é possível.

Escolinhas e creches não ficam abertas nas férias ou em fins de semana; há necessidade de alguém que ajude nas tarefas domésticas; então, o que fazer? Contratar uma babá ou empregada doméstica.

Mas isso também não é fácil. É preciso que seja uma pessoa competente e de confiança; e ter os papeis definidos: se vai só cuidar da casa, só da criança, ou de ambos.

Afinal, é a educação e a integridade do seu filho que está em jogo, e a segurança da casa também (são inúmeros os relatos de pais que tiveram que colocar câmeras escondidas na casa, e flagraram violência de babás contra crianças, e empregadas furtando pertences dos patrões, ou dando “dicas” para quadrilhas de assaltantes…).

A babá que vai cuidar da criança precisa conhecer a rotina da casa, saber o que “pode” e o que “não pode”, os horários das atividades da criança, os princípios educacionais e religiosos da família (ex.: se os pais esperam que a babá ajude a criança e se aprontar porque vão buscar o filho de casa para irem ao local de atividades religiosas – culto, missa, sessão espírita, a babá tem que cumprir, mesmo que seja de outra religião).

 Uma dúvida frequente é a questão da disciplina que a babá deve dar à criança. Muitas crianças desobedecem às ordens dos pais quando a babá está, porque dizem: “mamãe não está aqui”, e se a babá impõe as ordens ou dá um castigo, a criança diz: “você não é minha mãe!”.

Mas é claro que a babá não pode permitir um comportamento que os pais reprovam (ex.: falar palavrão, pular no sofá), sem bater, mas seguindo as orientações que os pais deixaram com relação à disciplina (ex.: ficar sem ver televisão, pedir desculpas, ou outra reprimenda claramente definida).

 É preciso tomar muito cuidado para que a relação da babá/empregada não se torne uma “relação familiar”.

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Empregada não é parente, é uma pessoa contratada

Empregada é uma pessoa contratada e paga para fazer o serviço, em local e tempo determinados, não é parente!

Não se pode permitir que a empregada se torne “mãe” das crianças, porque isso transfere a ela uma autoridade e poder que não lhe compete, e ela pode pretender usurpar esse poder e se contrapor aos princípios educacionais dos pais.

Relações em que a empregada fica por muitos anos (cuidando de várias gerações de uma mesma família), morando na residência dos patrões, quando a empregada não tem família própria (marido, filhos), e patrões que delegam muitas tarefas de confiança à empregada acabam fomentando essa situação.

Ela é extremamente prejudicial, porque a criança pode acabar se apegando mais à empregada do que à própria mãe, e a empregada usurpa um poder de “mando” na criança e na casa, enfraquecendo e esvaziando a autoridade dos pais[1].

Outra questão é, por vezes, o baixo nível de escolaridade e/ou determinados hábitos da babá, que podem interferir no comportamento da criança. Pode ocorrer da criança começar a falar errado, ou com determinadas expressões linguísticas que não são próprias da família, ou que deixe de comer certos alimentos porque a babá não oferece à criança (ou, ao contrário, que passe a ingerir doces no lugar das refeições, porque a babá “deixa”…).  

Se os hábitos e as opiniões são divergentes, pode haver diálogo. Mas se os pais não concordam com a atitude da babá ou da empregada, é melhor substituí-la.

Claro que existem exceções: empregadas prestativas, competentes, carinhosas e atenciosas com as crianças, empregadas que desejam genuinamente se qualificar, e essas devem ser valorizadas.

De qualquer forma, é preciso ensinar a criança de que há coisas que “podem” ser feitas na casa da vovó, na casa do coleguinha, na escola, mas que “não podem” ser feitas em casa (ex.: se a avó permite que se brinque de pula-pula no sofá, que isso ocorra na sua própria casa, não na dos pais).

Assim, ela aprende que há comportamentos diferentes para situações diferentes. Não é possível “igualar” todo mundo. Igualmente, ensinar a criança a se comportar com a empregada semelhante a como se comportaria com os pais.

Quando a criança é muito pequena (ex.: bebês), o acúmulo de funções domésticas e de cuidar da criança pode sobrecarregar a empregada, e há o risco de que descuide da criança enquanto está em alguma tarefa doméstica, ou vice-versa.

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Porém, muitos pais (ou, mais especificamente, as mães) acabam se sentindo mais “culpadas” ainda por permitir que seu filho tenha mais convívio com empregada do que com ela mesma: a empregada vai dar mais atenção, carinho e cuidados do que a própria mãe, por isso algumas mães rivalizam com a empregada pelo afeto da criança.

E existem muitas famílias que “terceirizam” os cuidados da criança às babás, a ponto da criança só se alimentar com a babá, os pais não trocarem as fraldas da criança no fim de semana em que a babá tira folga (e a criança ter infecções e assaduras), a criança só obedecer a babá (e a babá ficar preocupada que os pais percam a paciência e batam na criança enquanto ela estiver de folga), ou mesmo a babá chegar na casa e encontrar a criança sozinha assistindo TV porque os pais já saíram…        

 Seguem, então, algumas dicas importantes:

Conforme dito anteriormente, a escolha da empregada/babá deve ser criteriosa: profissional com a devida qualificação e experiência.

Os pais devem deixar todas as instruções por escrito, para não haver problemas. Mas é preciso ficar atentos para o linguajar da profissional porque, se for muito diferente da linguagem dos pais (ex.: sotaques, gírias, palavrões, expressões e interjeições), a criança aprenderá com ela, devido à maior convivência, e depois ficará difícil retirar-lhe esses hábitos linguísticos.

Além disso, é preciso ter clareza das tarefas, porque se ela vai cuidar também da casa, pode deixar a criança sozinha por alguns períodos, correndo o risco de acidentes;

Empregada/babá não é “mãe” do seu filho, nem pode ser considerada “da família”, é importante que cada um defina o seu papel, para não haver confusões, inclusive para a criança[2];

Empregada/babá não é “professora’ do seu filho: ela pode mandar que seu filho faça as tarefas da escola, mas não pode “ensiná-lo”.

Se ele tiver dúvidas, deve recorrer aos pais ou tirar as dúvidas diretamente com a professora;

Muitos pais inseguros e que se sentem “culpados” por trabalharem o dia inteiro delegam tarefas à empregada, que, consciente ou inconscientemente, pode perceber essa fragilidade dos pais e se aproveitar da situação para usurpar um poder de “mando” que não lhe compete, enfraquecendo a autoridade dos pais sobre o filho e a casa;

NUNCA terceirize os cuidados da criança à babá: você pode trabalhar o dia inteiro, deixando seu filho aos cuidados dela, mas tenha consciência de suas responsabilidades!

Espero que tenham apreciado o artigo, e nos encontramos nos próximos artigos!

Cuidem-se!

[1] Ex.: há algumas empregadas que se sentam à mesa com os patrões para as refeições, e querem participar das conversas dos patrões com visitantes; há algumas empregadas que “opinam” a respeito de situações familiares (no começo, a pedido dos patrões, depois “ganham confiança” e acreditam que “devem” opinar mesmo sem serem solicitadas; há algumas empregadas que se aproveitam de momentos de fragilidade ou instabilidade de alguém da família (exemplo: falecimento da mãe da criança) para “usurpar” esse papel perante a família, pretendendo “mandar” nos filhos; há algumas empregadas que se tornam “confidentes” de patrões, e por vezes conhecem mais “segredos” dos patrões do que os próprios familiares, e acabam “fofocando” tais informações com terceiros, ou manipulando/chantageando os patrões para não revelarem os “segredos”…; há algumas empregadas que só conhecem seus “direitos” mas não sabem (ou preferem não saber) de suas obrigações, nem seu lugar na casa; há algumas empregadas que abrem correspondência dos patrões, querem saber intimidades (ex.: a senha do cartão do banco!), invadem a privacidade da família, principalmente aquelas que ficam muitos anos, trabalhando por gerações e são tratadas como “da família” (e depois acreditam que o sejam mesmo!).

[2] Por isso, é importante que os patrões conheçam os direitos trabalhistas dessas profissionais e estabeleçam a relação mediante contrato, inclusive a PEC das Domésticas (2013).

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Escrito por Denise M. Perissini

Psicóloga clínica e jurídica CRP 06/38483. Coordenadora da Pós Graduação em Psicologia Jurídica na UNISA Autora de livros e artigos de Psic.Juríd. de Família.

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