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Novembro Azul e o Machismo: Como os homens cuidam de si?

Novembro Azul e o Machismo: Como os homens cuidam de si?
Pixabay

Estamos no mês de novembro azul, mês da prevenção do câncer de próstata. Mas, o Machismo afeta o modo como os homens cuidam de si?

A campanha realizada nesse mês busca pela propagação de conhecimento sobre a doença e o autocuidado.

Desse modo, auxilia para que sejam realizados exames de rotina, e, caso seja identificado algo, se realiza um diagnóstico precoce, permitindo um tratamento adequado e mais eficaz, evitando chegar ao óbito.

O câncer é uma das doenças mais impactante e mais diagnosticado em homens, sendo o câncer de pele o mais frequente, seguido de câncer de próstata.

Em ambos os casos, a prevenção e autocuidado são peças fundamentais para o tratamento.

Entretanto, a maioria dos homens não possui o hábito de cuidar da própria saúde.

Mas como os homens se cuidam? Eles dão a importância necessária para a campanha?

            A cultura machista é um dos pilares causadores dessa problemática. É ensinado aos homens a não demonstrar “fraquezas” e a ser capaz de lidar com tudo sozinho, isso inclui o autocuidado.

É comum ouvir e presenciar situações onde homens apenas procuram os serviços de saúde quando não conseguem mais aguentar a dor.

Ou seja, essa construção social é tão intensa que a maioria dos homens não dá a atenção necessária para própria saúde, muito menos a campanhas direcionadas a isso.

Em que momento cuidar de si irá tornar” alguém em “mulher” e fará o homem perder a sua masculinidade?

O cuidado com si mesmo não é um comportamento feminino, diferente do que é ensinado pela a cultura do machismo.

É comum ver mulheres cuidando de si e realizando consultas de rotina, enquanto homens costumam não achar necessário.

Percebemos que o homem não aprende a lidar de forma saudável com seus sentimentos e a ser capaz de se observar e conhecer o próprio corpo, sendo assim mais complicado conseguir detectar a menor mudança no organismo.

Ainda seguindo a lógica ensinada de o homem lidar com tudo sozinho, observa-se um comportamento de não contar para os amigos e familiares sobre os próprios sentimentos ou sobre o que está passando.

Além disso, nas poucas vezes em que resolve contar algo a alguém, nem sempre é levado a sério ou tem respostas a partir de “brincadeiras” machistas.

Isso contribui ainda mais para a cultura machista se perpetuar e continuar trazendo consequências severas para o homem e a sociedade ao seu redor.

Entretanto, o ato de falar ou contar algo a alguém poderia ser mais uma forma de identificar alterações e aprender formas saudáveis de lidar consigo.

Ainda percebe-se uma visão errada sobre o exame preventivo para o câncer de próstata, exclusivamente para o toque retal.

Essa parte do exame leva ainda mais preocupação para o homem ao buscar serviços, tanto por não querer fazer o exame quanto para não virar motivo de “piada” entre os amigos.

Principalmente pelo fato de tratarem o exame do toque como algo relacionado a homossexualidade.

É importante pontuar que o toque retal não tornará ninguém gay ou o fará perder a sua masculinidade.

Devemos normalizar o autocuidado do homem, incentivar a procurar mais serviços de saúde e incentivar o autoconhecimento tanto em relação à saúde física quanto a saúde mental.

Aqui foi abordado apenas sobre o câncer de próstata, porém diversas doenças e outros tipos de câncer podem aparecer no homem e que poderiam ser evitados por meio de exames rotineiros.

Além disso, é importante mencionar que o autocuidado inclui ter hábitos saudáveis, como:

  • Uma boa alimentação
  • Prática regular de exercícios físicos
  • não fumar, ter cuidado com bebida alcoólica em excesso,
  • Cuidado com saúde mental,
  • Entre outras ações saudáveis que auxiliam na prevenção de outros tipos de adoecimento.

O homem deve passar por um processo de reeducação, olhar para uma cultura machista que ensinou e ensina, por muitos anos, vários comportamentos de risco à saúde e incentivo à violência.

Primeiro devemos ter um olhar para isso e ir tornando o homem mais ativo em relação ao autocuidado.

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Escrito por João Victor C. Rocha

Psicólogo clínico CRP 10/06479, pós-graduando em Sexualidade e Psicologia e gay. Gosto de falar sobre os temas como machismo, morte e sexualidade. Meu intuito é o de aproximar às pessoas sobre os assuntos da Comunidade LGBTQIA+, tema ainda muito invisibilizado.

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