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Foco: O tesouro mais precioso da nossa era

Foco, o tesouro mais precioso da nossa era
Pixabay

Quando liguei o notebook para escrever esse texto, piscou na tela a propaganda de um tênis de corrida que eu preciso comprar e que tinha pesquisado ha algumas horas atrás. Enquanto isso meu celular apitava que eu tinha recebido e-mail e mais cinquenta mensagens do whatsapp. Como conseguir manter o foco com tanta distração?

É muito comum hoje vermos pessoas que trabalham ou malham com fones de ouvido, enquanto ouvem músicas elas realizam outra atividade (e isso é até benéfico), mas por outro lado também é comum vermos jovens com a televisão ligada, o celular em um app de mensagem, um aparelho de som ligado no último volume no outro cômodo, enquanto ele realiza a tarefa escolar. Motoristas que respondem mensagem enquanto dirigem e atendentes que enquanto tentam te atender responde alguém ao telefone.

Todas essas distrações são “ladrões de foco”, e não estão concentrados apenas nos meios eletrônicos ou na internet, também a todo o momento tem uma distração a sua frente, é uma propaganda, uma buzina, um grito etc.

O certo é que o mundo todo compete pela sua atenção, é como se estivéssemos em uma festa onde todo mundo está gritando nosso nome, querendo vender alguma coisa, contar sua história, chamar a atenção etc.

Estamos acostumados ouvir que tempo é o bem mais precioso da atualidade, será que é mesmo? Imagine as lacunas improdutivas que temos no dia-a-dia (não consta aqui tempo de descanso ou lazer), quanto tempo do seu dia você realmente trabalha?

Quantas vezes no dia você se pergunta: “o que eu ia fazer mesmo”? Quanto tempo do seu dia você permanece nas redes sociais dispersa entre grupos e comentários?

Como seria o seu tempo no trabalho se no momento de responder aquele e-mail do cliente você pensasse exclusivamente no seu cliente? Como seria se você não perdesse tempo procurando a chave do carro ou o uniforme da criança?

Quando começamos a esquecer das coisas básicas dos dia a dia como compromissos, chaves e a lista de compras, é comum imaginarmos que estamos com problemas de memória e até pedir ajuda para médicos, e fazer uso de vitaminas, listas de anotações e etc.

Só que em nossa memória só fica a informação que é importante, e aquela chave que você guardou atrás do telefone enquanto pensava na festa que irá acontecer daqui dois anos seu cérebro entende que não é importante porque foi uma atividade feita totalmente sem foco algum, no automático, então logicamente você vai esquecer.

Lembre-se pelo nosso cérebro passa milhões de informações por segundo e precisamos ser seletivo com essas informações para que consigamos armazenar todas as realmente relevantes. É como se a mente humana trabalhasse em dois planos, um é consciente e ficam guardadas as informações importantes e necessárias, o outro fica as informações das coisas que fazemos no automático.

Foi assim, quando você começou a dirigir, por exemplo, nos primeiros dias você prestava a atenção até em como sentar no carro, media a regulagem do banco, conferia o retrovisor, afivelava o cinto e etc.

Hoje muito provavelmente você dirige sem nem ao menos prestar a atenção se o volante deve ser girado para a direita ou pra esquerda e mesmo assim você faz sem pensar, ou melhor, pensando em segundo plano.

O problema acontece quando esse automático vai ficando cada vez mais permanente, e você “tenta” pensar muitas coisas ao mesmo tempo e acaba não se concentrando em coisa alguma.

Augusto Cury psiquiatra brasileiro descobriu uma síndrome cada vez mais comum relacionada ao foco, a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA), pessoas com essa síndrome estão com o foco tão comprometido que já não conseguem se concentrar por muito tempo.

A pessoa com essa síndrome se sente cansada por ter tanta coisa para fazer e não conseguir se concentrar, ela geralmente tem perda de memória constante e perde-se muito tempo tentando fazer tarefas simples.

No trabalho ela perde todos os prazos e academicamente fica em defasagem devido à perda da memória. Os pensamentos são desordenados e acelerados o que a prejudica socialmente porque a pessoa está constantemente mudando de assunto.

Como tratar a falta de foco?

Pacientes com falta de foco ou SPA precisam desacelerar o cérebro. Lembrando que ele é como um músculo e precisa ser exercitado. Para exercitar o foco é preciso desestimular as distrações, quanto mais tranquilo um ambiente mais favorável a concentração ele é.

Algumas dicas:

  • Estudos indicam que músicas clássicas, instrumentais de piano, violino e etc favorecem ao relaxamento.
  • Meditação guiada, e yoga pode ajudar muito.
  • Mantenha seu ambiente sem muitas informações, quanto mais clean melhor, utilize cores claras. Minimize na decoração e mantenha o ambiente organizado.
  • Respire profundamente por cinco segundos, segure o ar por seis segundos e expire pela boca por mais cinco segundos, repita por aproximadamente dez minutos todas as vezes que se sentir ansioso.
  • Atividades repetitivas como crochê e ponto cruz também ajudam muito e outras que exigem concentração como o xadrez irá exercitar seu foco.
  • Desligue o celular, ou simplesmente desligue o wifi e/ou coloque no modo avião sempre que for comer, realizar algo importante ou dormir. É muito importante você dormir calmamente. Um som ou luz do celular pode ser insuficiente para te acordar, mas pode atrapalhar a qualidade do seu sono.
  • Faça atividade física, além de ajudar na coordenação motora e bem estar físico, a atividade física acalma a mente e produz relaxamento e bem estar mental.
  • Policie seus pensamentos procure focar apenas no que está fazendo, além de aumentar o foco e produtividade você diminui o tempo para realizar as atividades.

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Escrito por Luciana Santos

Psicóloga CRP 06/148444 e Analista Comportamental apaixonada por pessoas e seus comportamentos anseia por levar a conhecimento do grande público uma psicologia simples e prática ajudando as pessoas a resolverem seus problemas diários.

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