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Quantos momentos me sinto em uma montanha russa emocional?

Transtorno de Personalidade Borderline
Reprodução

Caso não tenha ouvido falar, vou neste pequeno texto descrever alguns detalhes desse transtorno. Venha comigo para uma leitura de conhecimento e descobrimento.

No espaço do consultório muitas perguntas chegam: “Por que ele agia de forma tão amorosa em um instante, para logo depois arrasar comigo? Por que ela me achava talentoso e maravilhoso, e logo depois me acusava de ser desprezível e a causa de todos os problemas dela? Se ele me amava tanto quanto dizia, por que eu me sentia manipulada e impotente? Como alguém tão inteligente e culto podia às vezes agir de forma tão completamente irracional?”

Você conhece alguém que está transbordando de felicidade e, em seguida, fecha a cara? Ou alguém que, sem dar chance para você compreender o que houve, demonstra raiva e irritação se afastando? Por que fica descontrolada com uma pequena mudança de planos?

Que logaritmo é esse que tem tanta desregulação emocional? Vamos mergulhar em um transtorno que vem há um bom tempo angustiando e deixando parentes e o próprio sujeito sem entender muito o que acontece.

Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). O que se trata?

É um transtorno mental grave, caracterizado por um padrão de instabilidade contínua no humor, no comportamento e autoimagem. Como sintomas, temos:

  • instabilidade emocional,
  • sensação de inutilidade,
  • insegurança,
  • impulsividade,
  • relações sociais prejudicadas,
  • relacionamentos instáveis, com intensos episódios de raiva, ansiedade e depressão.

A maioria das pessoas desconhece as manifestações reais do problema. A imagem que associa sobre o assunto de alguém extremista, dramático, manipulador com pulsos cortados e ameaçando suicídio.

A falta de conhecimento que as pessoas que sofrem desse transtorno tendem a ser mal compreendidas, ou não são motivadas a buscarem apoio profissional.

O que afinal, gera o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

Não há resposta simples para essa pergunta. Existe um intenso debate em andamento sobre os fatores que podem contribuir para a manifestação dos sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), sem que se tenha chegado ainda a um consenso.

Muitas pesquisas estão sendo conduzidas sob diversas óticas, mas de modo geral a constatação é de que algumas pessoas já nascem com um certo conjunto de vulnerabilidades neurobiológicas, as quais podem (ou não) levar a uma manifestação dos comportamentos associados ao transtorno, dependendo das experiências pessoais que tenham vivido traumas na infância pode ser um fator que contribui para o desenvolvimento do transtorno.

Fatores sociais incluem como uma pessoa interage, em seu desenvolvimento infantil, com sua família, amigos e outras crianças. Fatores psicológicos incluem a personalidade e temperamento do indivíduo, moldados pelo seu ambiente e os mecanismos de enfrentamento aprendidos para lidar com o estresse.

Esses fatores diferentes sugerem que há múltiplos fatores que podem contribuir com o transtorno.

Tipos de características são frequentes neste Transtorno de Personalidade Borderline (TPB):

  1. Labilidade emocional

É caracterizada por uma grande flutuação no humor, e essa oscilação é constante. Frequente no borderline fazendo com que seja alguém imprevisível.

O humor da pessoa pode ir de um extremo ao outro ao longo do dia, ou até mesmo em questões de minutos, e isso leva ao sofrimento não apenas da pessoa, mas com daqueles que se relaciona.

2. Intensidade

As emoções estão sempre “a flor da pele” são intensas, e é difícil encontrar a estabilidade emocional. Esse turbilhão emocional pode ser sentido de maneira violenta, valendo tanto para as emoções positivas quanto as negativas.

Somando ao fato do humor instável, passando do amor ao ódio rapidamente, se envolvendo intensamente nas suas relações, sejam afetivas ou sociais.

3. Medo do abandono (real ou imaginado)

Um dos aspectos mais marcantes é o medo do isolamento ou abandono. A possibilidade do abandono e a solidão são sentidos como verdadeiras ameaças, que resulta em esforços desesperados sem limites para que não seja deixado, cabendo promessas ou ameaças.

Assustado por tremores intensos que não consegue controlar, a pessoa acaba interferindo na qualidade de suas relações, seja com o rompimento voluntário, amizades e vínculos profissionais, ou com a autossabotagem ao adotar comportamentos que sabe que serão reprovados, como traições, contradições, induzindo o outro a se afastar.

4. Impulsividade

A impulsividade no borderline opera no sentido “efeito e causa”, não ao contrário. Não há necessidade de que ocorra um fato concreto para que seja mobilizado um turbilhão de emoções.

Esse funcionamento, somando à sua impulsividade, faz com que frequentemente sofra ou brigue sem que existam razões lógicas, mas que são sentidas como reais.

Não é incomum ver a pessoa entrar em um relacionamento e de repente terminá-lo, ou sair de um emprego aparentemente estável, abandonar os estudos.

Entretanto, dependendo do contexto e da intensidade da resposta, a impulsividade pode ser uma característica disfuncional que gera sérios problemas na vida do Borderline.

5. Sentimentos crônicos de vazio

A sensação de vazio é um relato recorrente no borderline. O vazio se torna tão intenso ao ponto de não conseguir preenchê-lo com a própria companhia, sempre necessitando do outro, promovendo uma dependência afetiva cada vez maior e causando cada vez mais sofrimento.

6. Raiva

Pode ter um acesso de raiva a troco de aparentemente nada. Devido ao passado traumático, as ações simples e as reações dos outros ao seu redor podem ser interpretadas por eles como sinais de rejeição, negligência e isolamento que os deixam com raiva sem motivo aparente. Essa raiva muitas vezes é expressada com intensidade desproporcional à situação real.

7.Vergonha

A vergonha é um aspecto que não só permeia como provoca muitas das ações e reações da pessoa com o sintoma de borderline. Existem diversas maneiras de definir o sentimento de vergonha.

Basicamente podemos dizer que a vergonha é o mal-estar emocional vinculado à idéia de alguma ação que imaginamos censurada pelos outros ou por nós mesmos.

8.Sensibilidade a Crítica

Tem tendência a reagir de forma inesperadamente radical a críticas e rejeições percebidas ou imaginadas a evitar tarefas, reuniões ou interações sociais em que possa surgir qualquer rejeição implícita; a monitorar constantemente as reações dos outros para detectar algum indício, por mais sutil que seja, de desaprovação no seu radar emocional; e a vivenciar antecipadamente emoções negativas com base em supostas rejeições futuras.

Quando tal rejeição ou crítica é percebida ou efetivamente ocorre, principalmente quando parte de uma pessoa com a qual tenha um forte vínculo afetivo, isto gera ondas de raiva, hostilidade e às vezes até violência física. Mais uma vez, isso tem a ver com vergonha e medo de julgamento.

9. Interpretação equivocada de emoções

Geralmente apresenta obstáculos à comunicação habitual. As palavras dos outros parecem sofrer uma distorção “no ar”, uma mutação inexplicável entre o instante em que são proferidas e o momento em que são ouvidas, absorvidas e interpretadas, muitas vezes já com conotação negativa, acusatória e crítica.

10. Autolesão / Dor / Pensamentos Suicidas

A auto depreciação é o medo do isolamento e o estado emocional geral instável podem levá-los a tentar suicídios. O importante lembrar que o objetivo primordial desses atos de autolesão não é chamar atenção, até porque muitos episódios ocorrem longe dos olhares das pessoas que as amam.

Tratamento

Não é fácil chegar até esse diagnóstico. Com um tratamento mais moderno e adequado, indivíduos diagnosticados tem apresentando uma qualidade de vida melhorada.

O tratamento é realizado com o uso de medicamentos indicados pelo médico psiquiatra e psicoterapia onde ajuda o indivíduo a controlar suas emoções negativas, como saber enfrentar momentos de maior estresse.

Muitos fatores afetam o tempo necessário para que os sintomas melhorem, uma vez que o tratamento comece. Por isso é importante que as pessoas com o transtorno e seus entes queridos sejam pacientes e recebam suporte apropriado durante o tratamento.

Se você acha que tem o Transtorno de Personalidade Borderline, é importante procurar tratamento.

Um forte abraço a todos, até o próximo texto….

Referências Bibliográficas:

Sensibilidade à Flor da Pele – Entendendo o Transtorno Borderline – Autora Helena Polak – Editora: Clube de Autores (12 de abril de 2018)
Idioma: Português

Borderline – Editora: Casa Do Psicologo; Edição: 3 (2007)
Idioma: Português – Autor Mauro Hegenberg

Pare de pisar em ovos: Como agir quando alguém que você ama tem transtorno de personalidade borderline – Autores or Paul T. Mason (Autor), Randi Kreger (Autor), Flávia Assis (Tradutor) Editora: Fontanar (24 de junho de 2013)

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Escrito por Simone Souza

Psicóloga CRP 06/73969, fascinada em ajudar o ser humano a melhorar a sua compreensão dos seus conflitos emocionais. É um desafio diário para qualquer pessoa, afinal ou estamos, bem ou não. Aqui vou compartilhar com você um pouco do meu trabalho com um olhar humanizado, pautado no respeito e na ética.

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