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Mitologia grega: A mulher Atena na modernidade

A mulher Atena reconhece sua própria capacidade intelectual, sabe usar a prudência, a linguagem, o raciocínio lógico e estratégico para alcançar seus sonhos e objetivos.

Mitologia grega: A mulher Atena na modernidade
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Conhecer o nosso comportamento através da mitologia é viajar pelo nosso inconsciente e de lá extrair os tesouros da nossa alma.  

Os mitos expressam modelos de funcionamento mental que provocam uma organização interna e assim, nos orientam a tomada de consciência e todas as escolhas, influenciando nossos valores, pensamentos e até mesmo nossos sonhos.

Trago a Deusa Grega Atena, pois ela nos inspira a buscar nossa autonomia enquanto mulher em um mundo predominantemente masculino.

A deusa é filha de Zeus (poder) com Metis (Deusa da saúde e da Prudência). Do Poder e da Prudência nasce Atena, Deusa da sabedoria, da civilização, da arte e da ciência.

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Observando que a mitologia faz uma alusão ao início do patriarcado, embora todos os deuses e deusas possuem poder, Zeus é o de todos o mais poderoso e todos, inclusive os mortais, devem obediência a ele.

Nossa história é proveniente dessa estrutura patriarcal, o pai detinha o poder sobre as filhas. Essas casadas, o marido era quem elas deviam obediência.

Esse sistema permaneceu até meados dos século XX, e se prestarmos bastante atenção permanece até os dias atuais em diferentes contextos.

A mulher Atena na era digital

Olhando um pouco a educação de nossas avós ou bisavós podemos entender o quanto ainda é muito recente as inúmeras conquistas que as mulheres conquistaram, e ainda, o quanto precisamos estar atentas a inúmeros preconceitos, que nós mulheres sofremos diariamente em pleno século XXI.

Por isso considero todas “Mulheres Atena” da era digital, filhas do pai, e como a Deusa, estamos em busca de desempenho e reconhecimento profissional, conhecimento científico ou acadêmico.

Não queremos cuidar da casa e dos filhos apenas, queremos mais e nem gostamos desses afazeres.

Eles não nos desafiam, somente os filhos são desafiantes e muitas vezes entramos em choque entre acompanhar todo o desenvolvimento dos nossos pequenos versus manter uma carreira e ascensão.

 Atualmente, o mundo nos promete novas oportunidades em todos os setores para que possamos exercer muitos outros papéis.

Deste modo a nossa jornada de trabalho é extensiva e nós assumimos essa tripla responsabilidade.

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Dentre essas escolhas observamos que muitas mulheres optaram por não terem  filhos, outras por filhos independentes, sem a necessidade de ter o pai presente, ou um relacionamento aos moldes tradicionais. 

Todos esses comportamentos e escolhas são novidades, até pouco tempo atrás era impensado. Hoje são metas, planos e propósitos.

Talvez as nossas avós sonharam com esse dia de liberdade e escolhas, pois a maioria delas não tiveram escolhas.

E mesmo assim muitas delas foram pioneiras abrindo caminhos em várias áreas de atuação como ciências exatas, engenharia, advocacia, medicina, entre outras profissões que até então somente os homens podiam exercer.

Essas pioneiras seguiram o chamado de sua alma ou o chamada da Deusa Atena, que é uma força interna, uma necessidade intensa para realizar-se como escritoras, médicas, jornalistas, advogadas, juízas, administradoras, professoras, profissionais liberais, psicólogas, empreendedoras.

Em qualquer área que a mulher escolher terá grandes benefícios a toda comunidade, inclusive inspirando muitas outras mulheres. 

A mulher Atena reconhece sua própria capacidade intelectual, sabe usar a prudência, a linguagem, o raciocínio lógico e estratégico para alcançar seus sonhos e objetivos.

Sabe resolver muito bem situações difíceis por não se envolver emocionalmente, por saber deixar a emoção para outro momento.

A mulher Atena com uma inteligência ímpar e pensamento racional está o tempo todo focada nos fatos e nos resultados.

Portanto, essas características lhes conferem  excelentes conselheiras e despertam um senso de justiça afinado para defender os menos favorecidos, despertando neles a capacidade de resiliência, autonomia e vitória. 

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Realização profissional ou vida amorosa?

Embora Atena consiga a realização profissional com autonomia financeira, a vida amorosa não segue o mesmo caminho.

E isso vai ser uma questão quando estiver mais madura. Enquanto ela estiver ativa e focada no trabalho, ela não sofre pelas questões amorosas. 

Mas essa questão irá aparecer mais tarde, perto de se aposentar. E ao focar somente no trabalho, o emocional e a essência feminina são rejeitados, assim como aspecto intuitivo e materno.

Como sabemos, tudo aquilo que reprimimos ou negamos, se torna inconsciente e esquecido.  

É como jogar o lixo para debaixo do tapete. Hoje pode não perceber, mas com o tempo se você continuar varrendo o lixo pra debaixo do tapete, já sabe o que irá acontecer. Ele cresce até que começa a sair, a incomodar ou você limpa direito ou vai ter aborrecimentos.

A importância das escolhas conscientes, e do autoconhecimento é mergulharmos em nós mesmos e resgatarmos nossa sombra. 

 Há muitos outros aspectos emocionais que a mulher Atena precisa se conscientizar para que possa realizar-se plenamente em outras esferas essenciais da vida.

E o principal trabalho é lidar com  o feminino reprimido resgatando a relação com o materno, pois enquanto isso não acontece ela permanece defendendo o mundo masculino e negando o feminino.

Ambos os aspectos são importantes e fazem parte da nossa constituição física, biológica e psíquica.

São energias distintas, mas que precisam umas das outras para haver uma conexão harmoniosa tanto com o mundo interno quanto com o mundo externo, e principalmente para a qualidade de nossa saúde emocional.  

O resgate do feminino é uma tarefa necessária e isso é feito honrando todas as mulheres que nos precederam.

Honrar é reconhecer e agradecer o importante papel que elas tiveram em sua história de vida que com certeza foi de muita superação e resiliência. 

Referência Bibliográfica

A Deusa Interior – Jennifer Barker Woolger e Roger J.Woolger

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Escrito por Cleuse Alves Nogueira

Meu nome Cleuse Alves Nogueira Pedagoga primeira formação, Psicologia (CRP 06/59616) veio depois, mas já vinha de muito tempo. Atualmente trabalho somente na clínica escolhi a abordagem Junguiana coligada às Técnicas corporais, por viver em meu corpo todas as emoções fundamentais da vida.

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