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Ficção ou realidade? Onde e como termina um casamento

historia de um casamento
Divulgação

Olá a todos!

Nesse artigo apresento a indicação do filme “História de um Casamento” para o público em geral, e principalmente para profissionais que atuam dentro deste processo doloroso da separação.

Nicole (Scarlett Johansson) e seu marido Charlie (Adam Driver) estão passando por muitos problemas e decidem se divorciar. Os dois concordam em não contratar advogados para tratar do divórcio, mas Nicole muda de ideia após receber a indicação de Nora Fanshaw (Laura Dern), especialista no assunto. Surpreso com a decisão da agora ex-esposa, Charlie precisa encontrar um advogado para tratar da custódia do filho deles, o pequeno Henry (Azhy Robertson).

O filme é um recorte da realidade que muitos casais vivem, e dos desafios que todos passamos para evitar que as desavenças de um casal interfiram em suas relações com os filhos.

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Há uma tentativa de terapia de casal, ou mediação, cada um listando os aspectos positivos do outro, o que faz um amar o outro; mas quando Nicole se recusa a ler a lista de qualidades de Charlie, ele se irrita e a terapia/mediação fracassa.

A história aborda as dores e o ponto de vista de ambos os genitores, e dá uma visão chocante sobre como a atuação inadequada de advogados e profissionais que atuam em processos judiciais pode prejudicar o desenvolvimento dos fatos.

E o que já era difícil torna-se muito mais doloroso, angustiante, traumático. Os advogados se tornam tanto ou mais combativos do que o próprio ex-casal.

É o que acontece em alguns casos, quando alguns advogados, mais interessados nos honorários do que nas implicações éticas de sua atuação, acabam ‘assumindo a frente’ do litígio, extrapolando os interesses de cada um dos clientes e efetivamente assimilando o discurso do(a) próprio(a) cliente(a) como se fosse seu.

Daí a necessidade desses profissionais em repensarem suas atuações, porque podem ser decorrentes de conflitos pessoais não resolvidos, seja na infância, seja em relacionamentos atuais desfeitos, em que o advogado transfere para o litígio do cliente os seus próprios ressentimentos, frustrações, carências, raiva, hostilidade… e a ética profissional ‘vai para o espaço’… literalmente…

O filme foi aclamado pela crítica, indicado ao Oscar em seis categorias (incluindo melhor filme) e ontem 09/02/2020 ganhou uma estatueta de melhor atriz coadjuvante, para Laura Dern, a advogada ambiciosa que deseja a todo custo distorcer os fatos, contrariando muitas vezes o desejo da cliente.

Bem, se não viu, vale assistir e, principalmente, refletir:

  • Quando começa e termina o casamento?
  • Onde houve desgaste da relação? O que estou/estamos fazendo para resolvê-la?
  • Até que ponto envolvemos nossos filhos nos problemas da relação?
  • Deixamos outras pessoas interferirem na nossa relação?
  • Quero sempre estar com a razão sobre tudo? Por quê?
  • O outro é sempre culpado(a) do que aconteceu? Por quê?
  • Ele(a) está diferente ou quem mudou fui eu? Por quê?
  • Permitimos que fatores externos (dinheiro, carreira, filhos) interfiram na relação? Por quê? Em que medida?
  • Como me sinto quando as minhas expectativas sobre a relação fracassam? E ele(a)?

Essas e muitas outras questões podem surgir, e o interessante é que tentem conversar para poderem esclarecer esses pontos; se precisarem, peçam ajuda a alguém de confiança, ou um(a) psicólogo(a) familiar, ou mesmo em terapia individual. Isso, para não terem que ser objeto de litígio no Judiciário, que sempre desperta o que existe de pior nas pessoas!

Não vou comentar mais, para não dar spoiler, certo?
De vez em quando vou trazer também filmes que possam trazer reflexões sobre as relações familiares, ok?

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Até o próximo artigo!

HISTÓRIA DE UM CASAMENTO

Origem: Estados Unidos/Inglaterra, 2019
Direção: Noah Baumbach
Elenco: Com Scarlett Johansson, Adam Driver, Laura Dern, Alan Alda, Ray Liotta, Julie Hagerty, Merrit Wever, Azhy Robertson
Onde assistir: Netflix

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Escrito por Denise M. Perissini

Psicóloga clínica e jurídica CRP 06/38483. Coordenadora da Pós Graduação em Psicologia Jurídica na UNISA Autora de livros e artigos de Psic.Juríd. de Família.

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