in

Luto: a conscientização da finitude, o direito de vivenciar e sentir as ausências

Não falar sobre o luto, algumas vezes evitando a todo custo, escondendo, mesmo que com a intenção de “proteger” pode ser ainda mais danoso, contribuindo com a imagem de algo terrível, distante e “intocável”.

Luto: a conscientização da finitude, o direito de vivenciar e sentir as ausências
Pexels

A perda pode ser um acontecimento difícil de lidar. Não somente a morte física, mas a separação conjugal, a mudança para uma cidade distante de amigos e família, o desligamento de um emprego…

Enfim, compreender que um ciclo se encerra é algo que mexe naturalmente com emoções e também com a rotina.

Pode suceder de modo mais sereno para alguns, com grande impacto momentâneo para outros, ou ainda, fazer com que o sofrimento e a angústia perdurem por muito tempo em determinados casos.

Cada pessoa terá sua forma particular de encarar e prosseguir perante essas circunstâncias, inevitáveis na vida de todos.

Neste artigo vamos focar no luto desencadeado por falecimento de um ente querido. Pessoas próximas que podem ter laços de sangue ou não.

Ou ainda, animais de estimação que muitas vezes são nossa constante companhia e passam anos ao nosso lado, deixando um vazio.

Pode ocorrer de maneira abrupta, por acidente, por exemplo, ou um infarto fulminante.

Ou ainda por alguma doença onde se presencia o declínio, exigem-se cuidados redobrados, mas de certo modo espera-se o desenlace.

Pode significar para alguns libertação, findar de uma situação difícil, descanso, oferecendo até mesmo alento.

No entanto, pode também suscitar sentimentos de extremo desassossego, inconformidade, tristeza, confusão com durações e intensidades variadas.

Mesmo sabendo que esse é o final esperado para todo ser vivo (aprendemos desde pequeninos: nascer, crescer, talvez reproduzir e morrer), isto é, um processo natural, o mesmo pode ser extremamente doloroso e demorar a ser “superado”.

Não me refiro ao sentido de esquecido, mas de se seguir em frente, guardando no íntimo as boas lembranças e a saudade serena.

Não falar sobre o luto, algumas vezes evitando a todo custo, escondendo, mesmo que com a intenção de “proteger” pode ser ainda mais danoso, contribuindo com a imagem de algo terrível, distante e “intocável”.

Falar abertamente e com calma pode abrandar muitas mentes e corações.

As cinco etapas do luto

De acordo com Elisabeth Kubler-Ross o processo de luto abarca cinco etapas: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Na primeira ao ouvir a notícia da morte do ente querido o receptor reage com o “não crer”, a “não aceitação”, o “isso não pode ser verdade”.

Já a raiva pode ser direcionada à equipe médica por não conseguir salvar, a si mesmo por não ter o controle e o poder de reverter o quadro, à vida por ser “imprevisível” ou mesmo a Deus por ter tirado a pessoa da proximidade.

Já na barganha o sujeito faz promessas de que “tudo será diferente”, ou mesmo que fará alguma coisa em troca de uma nova chance.

Na etapa da depressão o indivíduo apresenta, de maneira geral, uma reação normal e apropriada diante da perda ou do diagnóstico sem boas perspectivas.

Silenciar-se e consternar-se fazem parte e o respeito concedido é essencial.

Quando a pessoa vai paulatinamente se dando conta da nova realidade, que vínculos adicionais podem ser estabelecidos, que as coisas mudaram, que o ente que partiu não voltará, permitindo-se ressignificações e recomeços, estamos na fase da aceitação (GRIGOLETO NETTO, 2015).

Independentemente de crenças e religiões, as orações podem ser grandes aliadas nesse contexto.

Não apenas aquelas rezas padronizadas, mas uma conversa franca em pensamento consigo mesmo, com uma “força superior” e com quem se foi.

Sim, podemos através desse diálogo interno refletir e amenizar o turbilhão de sensações.

A psicoterapia também pode ser importante nessa jornada, pois o profissional auxiliará o cliente na compreensão dos fatos, na análise dos comportamentos.

No “digerir” de sentimentos, através do recepcionar franco e empático, onde o cliente dará livre curso à fala (abordando medos, ansiedades, inseguranças, etc).

Viver o luto é um direito de todos, porém, com o tempo retomar a própria vida também é uma forma de agradecer a quem foi e continuará sendo especial, mesmo longe dos olhos.

Que bom que na vida podemos criar laços de amor e continuar levando no coração e na memória pessoas especiais.

Reportar erro

Escrito por Patricia C. Occhiucci

Poeta, escritora, palestrante, professora do Ensino Fundamental na disciplina de Ciências Físicas e Biológicas, graduada também em Psicologia. Apreciadora da natureza e das boas companhias. Nos momentos de lazer gosta de ler romances e ouvir belas canções.

Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Loading…

0
Como a mãe transmite o que sente para o bebê

Como a mãe transmite o que sente para o bebê?

Lindando com narcisistas

Como lidar com um narcisista?