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O que sua autoestima revela sobre sua saúde emocional?

O que sua autoestima revela sobre sua saúde emocional-

Um dos termos mais conhecidos na atualidade é “autoestima”. Seja nas redes sociais ou em revistas direcionadas para o público feminino, esse vocábulo vai muito além do que vemos em textos que abordam a preocupação com a beleza e estética ou livros de autoajuda.

Sentir-se confiante, perceber valor e propósito em si e naquilo que se faz pode ser um precioso e positivo recurso psicológico para a saúde emocional. Ter autoestima elevada pode ser a chave para alcançar metas, bons relacionamentos e desenvolvimento pessoal. Saiba o que é autoestima e como ela influencia sua vida.

O que é autoestima segundo a Psicologia?

O famoso psicólogo e filósofo americano William James (1892) descreveu a autoestima como “o conhecimento (valorativo) que o indivíduo tem de si próprio”. Essa “autoavaliação” poderá ser positiva ou negativa. Isso irá depender também da autopercepção de cada um diante das próprias emoções, crenças e comportamentos.

Pareceu algo complicado? Fique tranquilo, pois você certamente já ouviu falar em “amor-próprio”. Esse termo tem tudo a ver com autoestima e diz respeito ao “cuidado consigo mesmo”.

De um modo simplificado, a autoestima a partir de três pontos: O primeiro é o processo de tomada de consciência que envolve os sentimentos, sensações, emoções, aspectos corporais e psíquicos. O segundo refere-se ao modo respeitoso e amoroso de relacionar-se consigo mesmo e o último condiz com o exercício do autocuidado.

Conheça os 4  pontos essenciais de sustentação

Para compreender melhor o que é a autoestima e porque ela é tão importante para avaliar a qualidade de vida e saúde emocional, veja abaixo os quatro itens essenciais que sustentam a autoestima:

  1. Autoconhecimento: Conhecer a si mesmo é um processo complexo, é uma forma de investigação das próprias características, sentimentos, crenças e atitudes. Saber mais sobre si mesmo é a “chave de ouro” que poderá abrir portas para que você torne-se a melhor versão de si mesmo. 

Um bom exemplo disso está nas telas da TV, pois muitos atores famosos fizeram cursos de teatro no começo da carreira só para superar a introversão e a timidez buscando recursos cênicos para lidar com essas características. “Quem pode conhecer você, melhor do que você mesmo?”

2. Autopercepção: A palavra percepção vem do latim “perceptione” que descreve o ato ou capacidade de perceber estímulos sensoriais (audição, olfato, tato, paladar e visão), subjetivos ou funções biológicas (respiração, alimentação, reprodução, excreção, imunidade, etc).

Nesse caso a autopercepção refere-se a forma como o indivíduo se percebe, como por exemplo: Em determinada situação uma pessoa sentiu-se intimidada ou exposta ao falar em público e percebeu a partir dai que em ocasiões parecidas sente o coração batendo muito rápido, a respiração ofegante, as mãos “suando frio”, têm “tremedeira”, medo de passar vexame, falar algo errado ou gaguejar.

 3. Autoaceitação: Pode parecer algo difícil de se conquistar, mas gostar de si, aceitando e respeitando seu próprio jeito de ser, fará toda diferença para elevar sua autoestima.

Não se trata de ter uma atitude conformista, mas apreciar a si mesmo com compaixão e sinceridade para então buscar meios para  desenvolver as características que não te agradam ou potencializar aspectos positivos. 

O famoso cientista, astrônomo, teólogo, físico, matemático inglês Issac Newton considerado o pai da ciência moderna era visto como um aluno mediano e preguiçoso na escola. Mas decidiu estudar sozinho assuntos que o fascinavam como: ciência, teologia, os idiomas grego e latim. Conhecer os seus pontos fortes poderá fazer toda diferença, principalmente se você investir energia naquilo que você gosta de fazer, tem interesse ou facilidade.

4. Autoconfiança: Autoconfiança é um dos ingredientes principais para se combater o autoboicote. Além de acreditar em si mesmo internamente, é preciso mostrar convicção e força. Ser autoconfiante, é se sentir capaz de realizar algo que deseja e não deixar sua confiança e automotivação ser minada por outras pessoas ou situações. 

Na atualidade, diversas modalidades esportivas têm alcançado resultados surpreendentes com a inclusão de psicólogos do esporte na equipe de profissionais que visam promover o desenvolvimento integral, considerando também os aspectos emocionais dos atletas.

O que é baixa autoestima?

Para simplificar, podemos dizer que a autoestima é como um “termômetro” que mede o nível de satisfação, conhecimento, aceitação e valorização de si mesmo refletindo na qualidade de vida, bem-estar mental e físico de qualquer pessoa.

Se o “termômetro” estiver em baixa, você poderá se sentir mal consigo mesmo, como por exemplo, sentir-se sem valor, inseguro, pouco confiante, submeter-se a situações e relacionamentos abusivos, desacreditar em seu potencial, entre outros pontos que poderão levar a depressão.

Quando com frequência você age ou pensa mal de si mesmo ao se autocriticar, sente-se inferior ou incapaz, não se permite falar, se comportar ou se expressar com autenticidade por medo ou vergonha de ser você mesmo, você está entrando num campo perigoso e propenso a prejudicar a sua saúde mental e a sua qualidade de vida.

Os 15 sintomas mais comuns

Veja abaixo os 15 sintomas mais comuns da baixa autoestima:

  • Medo de rejeição e isolamento;
  • Sentimento de culpa frequente;
  • Alto nível de perfeccionismo;
  • Alta valorização da opinião de outras pessoas;
  • Pessimismo: evitar situações já acreditando que não dará certo;
  • Autossabotagem;
  • Necessidade de ser reconhecido frequentemente;
  • Falta de confiança em si mesmo;
  • Ter o hábito de se comparar com outros;
  • Falta de habilidade para lidar com críticas e frustrações;
  • Sensação de incapacidade e desmotivação;
  • Dificuldade em tomar decisões, apresentando intenso medo em errar;
  • Sente-se julgado a todo momento;
  • Incapacidade de receber elogios, não acredita que o mereça;
  • Dificuldade para reconhecer as próprias habilidades e conquistas.

Com a presença desses sintomas o indivíduo com baixa autoestima sofre por ter um diálogo interno negativo, como se tivesse um pequeno “grilo falante” trazendo pensamentos que o faz acreditar não ser suficiente como ser humano, alguém desprovido de sua própria individualidade e essência. Além disso, aos seus olhos não possui capacidade para se desenvolver como os demais, tanto no âmbito social quanto no trabalho.

O que é autoestima elevada?

“Cada ser humano possui uma beleza física e psíquica original e particular. Aprenda diariamente a ter um caso de amor com a pessoa bela que você é, desenvolva um romance com a sua própria história. Não se compare a ninguém, pois cada um de nós é um personagem único no teatro da vida.”

(Augusto Cury )

Autoestima elevada ou alta autoestima refere-se ao modo pelo qual uma pessoa avalia-se positivamente, ou seja, ela consegue acessar a própria essência compassivamente e se reconhece integralmente considerando os seus aspectos “legais e “nem tão legais assim”.

Aliás, um dos teóricos mais conceituados da Psicologia Carl G. Jung traz o conceito de luz e sombra, assim como o símbolo “Yin e Yang” da cultura e filosofia chinesa nos faz refletir sobre a relevância da harmonia e equilíbrio entre forças opostas, porém, complementares.

O excesso de autoestima pode indicar narcisismo patológico, onde o sentimento de superioridade, o ato de superestimar suas próprias ações diante dos outros, falta de empatia e arrogância estão presentes. Nesse caso, o indivíduo tem prejuízos nas interações sociais, além de perder oportunidades de aprender com as próprias falhas e desenvolvimento interpessoal e intrapessoal.

Como (re)construímos nosso amor-próprio?

Ao longo da vida a autoestima pode oscilar (elevar ou baixar) de acordo com diversos fatores. Passar por uma longa experiência de desaprovação por pessoas que consideramos importantes (pais, filhos, gestores, professores) poderá afetar a autoestima, deixando marcas e falsas impressões sobre si mesmo.

Criar o hábito de nutrir pensamentos positivos diariamente pode ajudar a melhorar a autoestima, elevando-a para níveis saudáveis. Pois ao criar hábitos que favorecem o desenvolvimento do autoconhecimento, autopercepção, autoaceitação e autoconfiança, você poderá descobrir e consolidar um ponto de vista alternativo sobre si a partir de novas experiências e/ou ressignificando antigas bem como desenvolver sua inteligência emocional.

Por isso, o processo psicoterapêutico é uma ferramenta importante para (re)construir uma autoestima saudável com qualidade de vida e bem estar.

“Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos”

(JUNG, 1971, p. 57)

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Escrito por Carla França

Co-fundadora da revista digital Blahpsi, atua há 10 anos como psicóloga clínica e institucional. Pós graduada em Saúde da Família, aprimoramento no Programa de Atenção à Tentativas de Suicídio, especialização em Psicologia & Relações Raciais (Instituto AMMA Psique e Negritude) e cursando a formação em Psicanálise no Núcleo Brasileiro de Pesquisas Psicanalíticas.

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