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Pronto?

Agora, tente imaginar uma cidade europeia do final do século XIX.  Quais as imagens que vêm?

É possível que você pense em mulheres utilizando longos vestidos e homens com chapéus.

Talvez se lembre de filmes épicos que retratavam histórias de guerra e do surgimento de novas correntes políticas ou, ainda, pense em personalidades que inovaram ao trazer diferentes abordagens para suas respectivas áreas de atuação.

E é exatamente sobre a criação de um desses personagens que falaremos aqui.

Nesse momento, acredito que você já esteja por dentro do período da história que será tratado nesse texto.

Então, como iniciamos um aquecimento inespecífico lá em cima, podemos contextualizar melhor agora.

Em 1889, nascia na cidade de Bucareste, Romênia, Jacob Levy Moreno, criador da Socionomia, que ficou popularmente conhecida como Psicodrama.  

Moreno
Jacob Moreno

Médico, viveu em um período em que havia um elevado número de manicômios, mas não compactuava com as práticas adotadas por uma significativa parcela dos profissionais de saúde mental da época.

Em sua lápide, pediu para que fosse escrita a seguinte frase: “Aqui jaz aquele que abriu as portas da psiquiatria para a alegria”.

Curiosamente, nasceu em 18 de maio, dia internacional da luta antimanicomial.

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De fato,  Moreno trouxe uma nova maneira de lidar com o sofrimento psíquico.

Antes  de efetivamente criar o Psicodrama, ele participou de grupos de teatro, contou histórias infantis para crianças em um parque, além de trabalhar com algumas prostitutas da cidade de Viena.

Essas últimas, aliás, após os grupos realizados com o médico criaram uma espécie de “sindicato”  para que tivessem seus direitos garantidos.

Todos esses fatos ( e muitos outros) contribuíram para o nascimento do Psicodrama.

Crítico das ideias de Freud

Crítico das ideias de Freud, Moreno afirmava que o criador da Psicanálise motivava seus pacientes  a se curarem dos conteúdos que lhe traziam sofrimento, quando na verdade deveriam ser incentivados a vivenciar toda a gama de situações e emoções que estavam reprimidas.

Ao contrário do modelo de psicoterapia adotado na época, Moreno sugeria aos participantes que revivessem a cena através de uma dramatização.

Sendo assim, o indivíduo não apenas faria o relato de uma situação passada, mas reviveria esse momento, atuando como se acontecesse no aqui e agora.

Utilizando técnicas do teatro espontâneo ( no qual não há falas previamente estabelecidas), os pacientes teriam menos tempo para elaborar uma defesa e estariam mais suscetíveis a entrar em contato com seus sentimentos e verbalizá-los, uma vez considerando que no decorrer de uma cena haveria pouco tempo hábil para identificar um sentimento, racionalizar e pensar em uma resposta que esteja de acordo com o que o paciente acredita ser aceitável.

Nesse sentido, os conteúdos trazidos durante as cenas seriam de grande valor para processo terapêutico.

Recriando no palco uma situação vivida

Imagine, leitor, poder recriar em um palco uma situação vivida anos atrás.

Você traria uma cena alegre ou conflituosa? E de todos os seus amigos, familiares ou pessoas já falecidas, quais estariam nessa história?

Durante a dramatização, falaria algo que não falou naquela ocasião? Seria mais compreensivo ou mais assertivo?

Enfim, são muitas as possibilidades que podem ser trabalhadas dentro de uma sessão de Psicodrama.

É possível, também, pensar em situações que ainda não aconteceram, mas que os participantes temem não estar devidamente preparados, como uma entrevista de emprego que irá acontecer ou uma fala diante de um grande público.

Nesse caso, o trabalho do psicodramatista estaria relacionado a uma espécie de treinamento.

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Conheça algumas técnicas do Psicodrama

Uma das possibilidades é uma técnica conhecida como Role playing, que é a interpretação de um papel até ser assimilado por aquele que o pratica.

Outra importante contribuição de Moreno se dá na tentativa de estabelecer uma relação horizontal entre o paciente e o psicodramatista.

Podemos citar como exemplo uma dramatização em que um participante traga a relação conflituosa que tem com seu pai.

Em alguns momentos, o diretor pode solicitar que esse participante faça o papel do pai, o que vai fazer com que  adote um olhar diferente sobre a mesma situação.

Ou solicitar que esse participante saia momentaneamente da cena enquanto outra pessoa o interpreta, possibilitando que ele observe seus comportamentos como expectador.

Essas duas técnicas ( inversão de papéis e espelho, respectivamente) permitem que esse participante faça  algumas reflexões que não foram necessariamente ditas pelo Psicodramatista.

Diferente do modelo vigente naquela época, Moreno dava autonomia aos pacientes para participarem do seu processo terapêutico.

Nas sessões realizadas em grupo, após a dramatização é feito um compartilhamento.

É nessa etapa que os participantes relatam como se sentiram no decorrer do processo, mesmo aqueles que permaneceram na plateia e não subiram ao palco.

Esses, no caso, pontuam as sensações que tiveram assistindo a cena, enquanto os outros participantes falam sobre a experiência de ter vivenciado.

Nesse momento, chegamos ao nosso compartilhamento. Como você, leitor, está agora?

Conseguiu desligar por esse curto período de tempo dos fatores externos, conforme solicitei no início do texto?

Se a resposta for negativa, sugiro que participe de sessões de Psicodrama Público ou realize terapia com um psicodramatista para melhorar sua atenção no aqui e agora.

Se a resposta for positiva, dou a mesma indicação, pois o Psicodrama é ótimo!

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