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Atravessamentos do Corpo Negro

“Como é para um corpo negro ser atravessado por práticas ainda coloniais, opressoras, que o objetificam, fetichizam e encarceram seus símbolos e representações?”

Atravessamentos do Corpo Negro
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“Como se apropriar de forma plena de um corpo negro sem o direito pleno à saúde (física e mental) e à subjetivação enquanto ser negro?”

“Como é para um corpo negro ser atravessado por práticas ainda coloniais, opressoras, que o objetificam, fetichizam e encarceram seus símbolos e representações?”

Estas questões, nem sempre de fácil resposta, nos lembram da importância em considerarmos que os marcadores sociais, econômicos, de gênero, sexuais, alinhados às diversas violações de direitos e violências físicas, psicológicas, morais, institucionais, estatais, culturais, religiosas e simbólicas trazem, indiscutivelmente, agravamentos que afetam direta e intensamente à saúde da população negra

Esses agravamentos podem produzir diversos sofrimentos psíquicos, como irritabilidade, alteração no humor, estados fóbicos, angústia, autodepreciação, depressão, ansiedade, estresse, alto risco ao suicídio, abuso de álcool e drogas.

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Sofrimentos estes que, muitas vezes, são amenizados diante da ideia de que a população negra é mais forte e pode suportá-los.

E, por vezes, essa noção de “poder suportar” é internalizada no psiquismo da pessoa negra que pode, com isso, não validar a sua dor.

É possível observar situações como estas em setores da saúde, em que a não compreensão de forma integral das especificidades no atendimento a população negra culmina, muitas vezes em negligência e/ou amenização no cuidado da saúde.

Essas demandas aparecem nos atendimentos psicológicos de diversas formas. Algumas pessoas negras apresentam sentimentos de confusão diante daquilo que estão sentindo.

Acreditam que o sentimento de confusão entre outros, seja algo que não podem sentir, pois têm pessoas com dores piores, e ou o histórico familiar de demandas emocionais, não eram motivos para paralisar e precisar de apoio psicológico.

Muitos desses familiares sendo considerados “pessoas fortes”, que não podem sentir vulnerabilidade. Como também existem relatos de pessoas negras estarem procurando apoio psicológico pela última vez. 

Queixam-se de outros lugares, em que procuram apoio psicológico ao relatarem de demandas relacionadas sobre etnia-racial, não tinha escuta e ou compreensão da queixa verbalizada, em algumas situações a etnia-racial do paciente era colocada em dúvida.

Com isso acentuando sentimento de angustia, e produzindo outros sentimentos aversivos no qual se sentem mais fragilizados ou culpados das demandas se queixam.

Diante desse cenário é necessário refletir e pensar em ações concretas e efetivas em todas as instâncias sociais para melhoria da saúde população da negra.

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Importante que as queixas apresentadas pela população negra seja escuta e compreendida.

Procurando compreender a origem dos sintomas do adoecimento físico e ou mental, posteriormente refletindo os melhores instrumentos que possa sanar a demandas que são apresentadas, e suspendendo visões e conclusões pré estabelecidas sobre à população negra.

Vale pontuar que não é sobre “pessoas e instituições racistas deixarem de ser racistas”.

É para além disso: é urgente que se rompa com o paradigma civilizatório ocidental e seus desdobramentos adoecedores, como as diversas agressões às ecologias sociais e étnico-raciais. 

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Escrito por Daniela Trindade da França

Daniela Trindade. Psicóloga (CRP 06 130178). Possui formação teórico/vivencial em Psicologia e Relações Étnico-Raciais, aprimoramento em Atenção Psicossocial, cursando a formação na área de Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva. Foi Co-fundadora de coletivo que visa o cuidado da saúde mental e acolhimento de mulheres pretas e participou de coletivo de educação popular. Além da atuação como Psicóloga Clínica em consultório particular, trabalha com palestra e consultoria nas áreas de saúde mental e diversidade

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