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Joao Victor C. Roch

Psicólogo clínico CRP 10/06479, pós-graduando em Sexualidade e gay. Meu intuito é aproximar às pessoas sobre os assuntos da Comunidade LGBTQIA+.
A construção psíquica da não-binariedade
Sexualidade

A construção psíquica da não-binariedade

Para entendermos a não binariedade é necessário que possamos entender a construção social de gênero existente e reconhecer que, ao falarmos sobre identidade de gênero, existem diversas formas da pessoa construir e perceber a sua própria identidade. Essa identidade pode ser desde uma pessoa cisgênero – gênero de acordo com o designado ao nascer – até a construção de uma identidade transgênero – gênero diferente do designado ao nascer. Uma pessoa transgênero se distancia do padrão cisgênero, podendo estar dentro de um binário de homem/mulher, identificando-se como uma pessoa transexual binária ou travesti, ou para além disso enquanto uma pessoa não-binária, ou seja, sua identidade de gênero não estará de acordo com o padrão social de homem/mulher. A não binariedade é um termo guarda chuva que engloba várias formas de identificar e  expressar o seu gênero, como: O importante dentro da construção psíquica de uma pessoa não binária  acontece a partir do momento em que a pessoa compreende que existe algo além do gênero com que se identifica. Muitas vezes perceber o quanto se entende diferente de todo o padrão cisgênero que nos é imposto desde a gravidez em que já existe uma idealização do filho/filha ideal, onde existe uma construção de que o gênero estará de acordo com o sexo nomeado (menino vai gostar de azul e jogar bola, menina vai usar rosa e ser mãe). MAS E A REAL IDENTIDADE DA PESSOA? É neste momento em que a não binariedade torna-se uma possibilidade! A construção cisnormativa é algo muito forte e presente na constituição da pessoa desde antes do seu nascimento e isso irá se estender ao longo de sua vida. Entender-se enquanto não binário é um processo complexo, onde primeiro é preciso desconstruir o conceito do padrão cisgênero, perceber-se enquanto uma pessoa transgênero. E, compreender que é possível ser não binário. Por fim, ir construindo de quais formas é possível erguer uma identidade e expressar o seu gênero. A compreensão psíquica fora do binário demanda um entendimento de si dentro de um complexo no qual tudo aquilo que se aprendeu desde o nascimento não faz mais sentido. Essa compreensão traz marcas e pensamentos de encontrar-se em um local onde a sociedade irá julgar o diferente e irá trazer mudanças bruscas para si. Ser uma pessoa transgênero na sociedade em que vivemos é se preparar para lidar com sofrimento e violências que constantemente vemos pelas redes sociais e mídia. Não é simples perceber-se neste local e não vir carregado com inseguranças e medos. Estar na não binariedade é um processo em que a pessoa se permite conhecer e entender como o externo pode expressar toda a identidade de gênero que está interno. É entender de quais formas é possível SER em meio a uma sociedade transfóbica e violenta. É construir novas redes de apoio e estar constantemente lidando com seus sentimentos para compreender todas as possibilidades de ser ao longo dos dias.

28 de junho - Dia do Orgulho LGBTQIA+ e a Rebelião de Stonewall
Sexualidade

28 de junho – Dia do Orgulho LGBTQIA+ e a Rebelião de Stonewall

No dia 28 de junho é celebrado o dia do orgulho LGBTQIA+, esta  data começou a ser celebrado 1 ano após a rebelião de Stonewall que aconteceu em 1969 nos Estados Unidos. O que era Stonewall? Stonewall era em bar em Nova York onde pessoas LGBTQIA+ podiam estar com um pouco mais de segurança e serem mais livres do que nas ruas.   É importante sabermos que nesta época as violências contra a comunidade LGBTQIA+ eram mais violentas e considerada um crime. Era comum que houvesse opressão policial e pessoas LGBTQIA+ serem presas por conta de suas vestimentas e identidade de gênero, logo, neste período era comum a polícia ir aos lugares públicos para fazerem vistorias e deterem pessoas da comunidade.  Stonewall era um local comandado pela máfia italiana que abriu este espaço e pagava para que as fiscalizações não fossem realizadas e assim pudessem seguir comercializando bebidas para este público. Porém foi realizado uma vistoria de surpresa ao bar Stonewall e a polícia começou a deter pessoas LGBTQIA+, é dito em alguns lugares que a rebelião começou a partir de uma agressão cometida contra uma mulher, onde a população começou a jogar pedras e usar suas vozes para acabar com a opressão policial e violências cometidas. Esta rebelião perdurou por 5 dias através de marchas para continuarem lutando contra a opressão policial.  Após 1 ano da Rebelião de Stonewall, no dia 28 de junho foi realizado a primeira marcha LGBTQIA+, sendo considerada a primeira parada LGBTQIA+ realizada e por conta disso esta data é vista como um marco e o dia do orgulho.  Qual a sua importância para os dias de hoje?  Mesmo após 52 anos da rebelião de Stonewall, ainda é preciso que a comunidade erga sua voz e se mostre, aponte como é a realidade social. Apenas em 2019 foi aprovado por lei a criminalização da LGBTfobia no Brasil e mesmo assim casos de violências contra a comunidade ainda é frequente em diversos âmbitos sociais, incluindo na própria tentativa de fazer a denúncia da LGBTfobia. Infelizmente ainda é muito comum ouvirmos relatos de pessoas da comunidade que vão em serviços da psicologia e sofrem LGBTfobia por psicólogos (as). Ainda é necessário que nós da psicologia se posicione, busquem mais conhecimentos sobre os assuntos para que durante qualquer serviço não ocorram reproduções da violência. O fato de ir em busca de acolhimento e uma escuta sem julgamentos e nos depararmos com profissionais da psicologia que cometam LGBTfobia é extremamente violento, nunca sabemos como está a saúde mental de quem chega até nós e o quanto de violência já passou ao longo da vida para chegar até o serviço de saúde mental.  O dia do orgulho começou pela rebelião, começou a partir das vozes que não se silenciaram e se levantaram. No dia 28 de junho é comemorado o dia do orgulho e não apenas pelas conquistas que já tivemos, mas também por tudo aquilo que ainda devemos conquistar, todos os espaços de acolhimento e sem violências, todos os direitos e garantias enquanto pessoas na sociedade. 

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