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Autossabotagem: Você já se auto sabotou hoje?

Autossabotagem
Imagem de StockSnap por Pixabay

Em vários momentos de nossas vidas desejamos realizar coisas importantes para conquistarmos nossos sonhos – fazer aquela viagem maravilhosa, eliminar 5 quilos, comer comida saudável, praticar exercícios, começar cuidar melhor da vida financeira, ter mais tempo livre para estar entre amigos e familiares entre outros.

O dia a dia vai passando, estabelecemos pequenas metas e com frequência tentamos tirá-las do papel para colocar a mão na massa, mas não conseguimos “fazer acontecer”, repetindo insistentemente o mesmo “erro” e normalmente atribuindo isso a falhas circunstanciais.

A partir do estudo do comportamento humano veremos nessa matéria alguns pontos essenciais para que você compreenda um pouco mais sobre comportamento sabotador e como lidar com o auto boicote.

O que é comportamento sabotador?

“Perder a hora” para uma prova, um primeiro encontro, uma entrevista de emprego ou qualquer outra possibilidade que gere grandes expectativas pode ser um grande sinal de alerta.

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Se você conseguir atingir o que almeja poderá ser recompensado com uma boa nota, conhecer alguém incrível ou ter o emprego dos sonhos, mas, simultaneamente poderão surgir pensamentos apavorantes derivados do medo de se frustrar só de cogitar agir para obter esses resultados.

É nessa hora que aquela famosa frase do personagem da TV “O Chaves” entre em cena “Foi sem querer, querendo” e quando percebemos a oportunidade foi por água abaixo. Há diversas razões possíveis para que uma pessoa tenha atitudes que possam prejudicar o seu bem-estar ou que a distancie dos próprios objetivos.

Na prática é como se você enxergasse para cada sucesso desejado uma série interminável de fracassos que te paralisa, impedindo que você dê o primeiro passo.

Na maioria das vezes não nos damos conta que cultivamos comportamentos sabotadores em busca de nos “salvar” de situações de medo, ansiedade ou angústia. Por isso, criamos pequenos “mecanismos” na tentativa de nos auto preservar, e, em casos graves associamos comportamentos sabotadores a comportamentos autodestrutivos (uso de álcool e drogas, automutilação, entre outros).

De acordo com a minha experiencia no consultório a grande maioria dos pacientes não sabem que se boicotam, relatam o sentimento de angústia, impotência e confusão principalmente quando vão tomando consciência dos padrões sabotadores e o alto potencial destrutivo desses comportamentos.

Desta forma, é essencial que no processo psicoterapêutico o paciente acesse os próprios comportamentos sabotadores, o motivo de boicotar a si mesmo e as consequências para que seja construída a mudança desejada.

Por que nos auto sabotamos?

A neurobiologia vai nos ajudar a compreender por que somos tão propensos ao “se auto boicote”. A autossabotagem tem a ver com uma adaptação desde o tempo das cavernas pois faz parte de um mecanismo básico do comportamento humano que garante a nossa sobrevivência.

Naturalmente evitamos situações que sinalizem ameaças (física ou psicológica) e buscamos recompensas. Ou seja, o que nos faz ir atrás de alguma coisa que queremos muito é justamente os benefícios que ganharemos – seja alegria, bem-estar ou prazer (resultado da liberação de dopamina, consequentemente será um grande incentivo para você repetir essa atitude).

Porém, nem sempre conseguimos diferenciar uma sensação de bem-estar quando conquistamos algo desejado e a sensação de bem-estar causada pelo alívio em evitar algo desprazeroso.

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Com um mundo cada vez mais tecnológico, diariamente temos que lidar com difíceis questões cotidianas em um curto espaço de tempo, gerando sobrecarga psicológica. Isso desencadeia respostas semelhantes ao comportamento de luta ou fuga em situações percebidas como ameaçadoras, prejudicando nossa real percepção dos fatos e favorecendo a autossabotagem.

Desta forma, acabamos intensificando atitudes que diminuam a sensação de ameaça e anulando ações que tragam recompensas. Para simplificar, vejamos como exemplo: Uma pessoa “tímida” poderia se isolar nos primeiros dias de aula para não se sentir exposta, entretanto, esse comportamento possivelmente dificultaria o processo de socialização com os novos colegas da turma.

4 Elementos que alimentam a autossabotagem

Por que supervalorizamos uma ameaça e desistimos de alcançar nossas metas? A autossabotagem está presente no dia a dia com dispositivos sutis ligados a 4 elementos que alimentam o autoboicote:

  1. Baixa autoestima: Pessoas com baixa autoestima não possuem uma postura positiva consigo mesmas, apresentam dificuldades em enxergar qualidades e potencialidades e geralmente sentem-se incapazes. Dessa forma, manter-se em uma zona de conforto é o único movimento possível, atribuindo o insucesso a fatores externos e não permitindo o desenvolvimento pessoal.

  2. Crenças disfuncionais (limitantes): Geralmente surgem na infância ou a partir de uma experiência negativa que você tomou como uma “verdade incondicional” e se cristalizou. São padrões que limitam o indivíduo de exercer sua liberdade e autenticidade, criando bloqueios que comumente não condizem com a realidade. Ex. “Não vou participar do processo seletivo interno na empresa que trabalho porque não sou bom o bastante para conseguir uma promoção”.

  3. Necessidade excessiva de controle: Para muitas pessoas, ter controle é sinônimo de segurança e previsibilidade. Entretanto, para cada ação feita vale lembrar que há muitas possibilidades com desfechos positivos e negativos. Indivíduos excessivamente controladores sofrem só em cogitar que algo possa sair do planejado, surgem angustias e medos de frustração que podem criar padrões comportamentais engessados, fortalecendo situações de autossabotagem.

  4. Procrastinação: As tarefas vão ficando para depois, acumulando até se tornarem sufocantes. Falta de ânimo, preguiça, falta de organização, falta de tempo e outros fatores que se misturam sinalizando que você está no lugar do “carona”, não protagonizando sua própria vida.

Todos temos um pequeno sabotador interno, como já falamos anteriormente ele está relacionado com o nosso instinto de autopreservação, mas precisamos ficar atentos caso surja a sensação de tristeza pela dificuldade em alcançar realizações pessoas e profissionais, o sentimento de confusão, angústia, desvalorização e impotência sem motivos aparentes principalmente se identificar a influência dos 4 elementos descritos.

Ao ampliar sua percepção sobre os padrões sabotadores você ganhará autoconhecimento, poderá pensar e descobrir em quais circunstâncias “sabota” a si mesmo para desenvolver novas possibilidades e deixar de sucumbir a tais mecanismos. Não é algo fácil de ser feito, mas com a ajuda profissional você terá apoio especializado para lidar com seu sofrimento e construir novos rumos para ter mais qualidade de vida.

“Confiar em si mesmo não garante o sucesso, mas não fazê-lo garante o fracasso.”

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-Albert Bandura-

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Escrito por Carla França

Co-fundadora da revista digital Blahpsi, atua há 10 anos como psicóloga clínica e institucional. Pós graduada em Saúde da Família, aprimoramento no Programa de Atenção à Tentativas de Suicídio, especialização em Psicologia & Relações Raciais (Instituto AMMA Psique e Negritude) e cursando a formação em Psicanálise no Núcleo Brasileiro de Pesquisas Psicanalíticas.

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