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Meu filho é viciado em celular. Quais são os riscos?

A dependência excessiva evolui para o vício em smartphones em 16% dos adolescentes trazendo prejuízos para a saúde mental
Meu filhos é viciado em celular. Quais são os riscos

Muitas crianças e adolescentes dedicam uma quantidade preocupante de tempo às redes sociais, videogames e outras atividades em dispositivos eletrônicos.

Pais e adolescentes frequentemente descrevem esses dispositivos como “viciantes”, utilizando o termo de maneira genérica para expressar a dificuldade em interromper o uso, superando o tempo considerado adequado.

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Embora a dependência da internet não seja um diagnóstico clínico formal, profissionais de saúde mental observam um aumento de casos em que o uso excessivo dessas tecnologias alterou significativamente a vida dos adolescentes, levando até mesmo a problemas como depressão e, em casos extremos, suicídio.

As mídias sociais e os jogos são concebidos para estimular intensamente o cérebro das crianças.

O impacto negativo ocorre quando o tempo gasto diante das telas começa a interferir nas necessidades básicas, como alimentação, sono, conclusão das tarefas escolares e interação com amigos e familiares.

Pesquisas indicam que o uso excessivo das redes sociais pode constituir um fator de risco para o desenvolvimento de ansiedade e depressão em adolescentes.

O que é o vício em celular?

O vício em celular acontece quando alguém usa demais o smartphone, ficando muito tempo nele. Esse tipo de vício é chamado de “nomofobia”, que é o medo de ficar sem o celular.

Muitas pessoas no mundo usam smartphones, mais de 3,8 bilhões. Uma pesquisa da empresa Virgin Mobile mostrou que esses bilhões de usuários recebem 427% mais mensagens e notificações do que dez anos atrás, além de enviarem 278% mais mensagens de texto.

Embora usar o telefone seja algo comum hoje em dia, pode causar preocupações e problemas.

Muitas pessoas estão começando a se questionar sobre seus hábitos de uso do celular. As pesquisas no Google mostram que, desde 2004, as buscas por “vício em celular” vêm aumentando.

É crucial reconhecer que nem todas as atividades online são prejudiciais; muitas são apropriadas para a idade e benéficas.

Entretanto, caso suspeite que seu filho esteja dedicando excessivo tempo a atividades online, é essencial considerar a possibilidade de um problema subjacente de saúde mental.

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Sinais e Sintomas de Dependência de Telefone

A distinção entre o uso saudável e o uso compulsivo de dispositivos móveis é uma linha tênue.

A dependência excessiva desses dispositivos pode evoluir para o vício em smartphones, com 6,3% da população geral, de acordo com uma revista acadêmica da Biblioteca Nacional de Medicina Americana.

Esse padrão de abuso é mais proeminente entre os jovens, especialmente com uma média de 16% de adolescentes viciados.

Diante do predomínio do uso crônico de telefone, como podemos discernir entre o uso “normal” e o vício?

Aqui estão algumas maneiras de identificar sinais e sintomas de dependência de telefone:

  1. Mentir sobre o uso do smartphone.
  2. Expressões de preocupação por parte de entes queridos.
  3. Negligenciar ou ter dificuldades para cumprir tarefas no trabalho, na escola ou em casa.
  4. Aumento constante do tempo usando um telefone.
  5. Verificar repetidamente os perfis das pessoas devido à ansiedade.
  6. Acidentes ou lesões relacionados ao uso do telefone.
  7. Trabalhar além do horário utilizando o celular para concluir tarefas.
  8. Vida social fraca ou inexistente.
  9. Medo de perder algo.
  10. Isolamento dos entes queridos.
  11. Sensação de falta de conexão.
  12. Irritação ou raiva quando o uso do telefone é interrompido.
  13. Verificar o telefone à noite prejudicando o sono.
  14. Pegar o telefone quando está sozinho ou entediado.
  15. Percepção de vibrações fantasmas (pensar que o telefone vibra quando não o faz).
  16. Dificuldade em limitar o uso do telefone.
  17. Desejo constante de acesso a um smartphone ou outro dispositivo (tela).

Reconhecer esses sinais é fundamental para abordar o problema e promover um uso mais equilibrado e saudável dos dispositivos móveis.

Efeitos negativos do vício em celular

Os efeitos negativos do vício em celular são preocupantes e refletem uma forma de dependência relativamente recente.

Embora a Associação Americana de Psiquiatria ainda não o reconheça oficialmente como uma condição, muitos profissionais médicos e pesquisadores em todo o mundo consideram-no um vício comportamental.

Estudos indicam que o uso constante de smartphones ao longo do tempo pode ter impactos negativos semelhantes aos observados em vícios mais tradicionais, como o jogo.

O vício em celular pode resultar em diversos problemas, incluindo:

  • Distúrbios do sono
  • Redução da concentração
  • Bloqueios criativos
  • Agravamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
  • Ansiedade
  • Diminuição da cognição
  • Estresse
  • Solidão
  • Insegurança
  • Prejuízos nos relacionamentos
  • Queda nas notas escolares
  • Desenvolvimento de transtornos psicológicos

De acordo com The American Psychiatric Association, o uso crônico do telefone pode provocar disfunções físicas, como a alteração do GABA (um neurotransmissor cerebral) e a perda de massa cinzenta no cérebro, fenômenos que apresentam uma forte correlação com transtornos decorrentes do uso de substâncias.

Disfunção do GABA é uma consequência comprovada do uso excessivo crônico do telefone, resultando em alterações químicas nos circuitos de recompensa do cérebro.

O ácido gama-aminobutírico (GABA), um neurotransmissor chave, é particularmente afetado.

O GABA é conhecido por seu papel inibitório, gerando efeitos calmantes ou eufóricos e desempenhando um papel crucial no controle do medo e da ansiedade.

Este neurotransmissor é significativo no contexto do vício, pois recompensa o uso de substâncias e fortalece comportamentos dependentes.

A redução da matéria cinzenta no cérebro está associada à região do sistema nervoso central que influencia o controle do movimento, memória e emoções.

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Um estudo recente investigou o cérebro de indivíduos viciados em telefone, revelando alterações significativas na matéria cinzenta.

Os pesquisadores observaram que a estrutura e o tamanho cerebral desses participantes se assemelhavam aos de usuários de drogas.

A diminuição do volume de matéria cinzenta foi identificada em áreas críticas, uma condição comparável à observada em pessoas com transtornos relacionados ao uso de substâncias.

Apesar de os smartphones serem recursos excelentes, eles também podem representar ferramentas potencialmente perigosas, especialmente para crianças e jovens.

A verdadeira extensão dos problemas resultantes do uso excessivo desses dispositivos ainda não é completamente compreendida.

Contudo, é extremamente importante adotar uma postura atenta e cuidadosa para não prejudicar o bem estar e a qualidade de vida das crianças e adolescentes que estão em fase de desenvolvimento e podem sofrer graves danos.

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Sobre o autor(a)

Carla Franca

Carla Franca

Co-fundadora da Revista Blahpsi, psicóloga (CRP 06/104180) com atuação na área clínica e social há mais de 10 anos e facilitadora de grupos. Ampla experiência em palestras e formações em diversas instituições.
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